A estratégia de exportação dos espumantes brasileiros

Atualizado: Ago 2

O mercado de vinhos brasileiros tem se expandido significativamente, e pouco a pouco vem conquistando diversos países e regiões do mundo, o que torna a sua exportação uma ótima oportunidade!


Dentro do setor vitivinícola brasileiro, o segmento de maior destaque e reconhecimento no exterior é o dos espumantes, e se você está se perguntando o porquê, ou quais são as estratégias utilizadas para o constante crescimento das exportações do produto, confira o conteúdo abaixo.


O valor do espumante brasileiro

Os espumantes brasileiros figuram entre os melhores do mundo, sendo inclusive comparados aos famosos espumantes franceses, em parte devido à semelhança entre as regiões produtoras dos dois países: o sul do Brasil e a região de Champagne, ao norte da França.


A união de elementos favoráveis como clima, solo e topografia ideais de um país tropical é um dos fatores responsáveis para que o Brasil produza um espumante único, considerado versátil, descontraído, e portador de um frescor exclusivo, características que o diferencia dos demais e agrada paladares ao redor do mundo.


O produto é o principal responsável pelo reconhecimento do mercado de vinhos brasileiros no exterior. Em 2018, foram exportados 142,8 mil litros de espumante, número que representa um aumento de 61% em relação a 2017. Apesar de os vinhos tranquilos representarem a maior parcela em volume de vinhos exportados, a expansão dos vinhos espumantes ocorre em ritmo mais acelerado.


Segundo Diego Bertolini, gerente de promoções da extinta Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), o objetivo de médio prazo é ser reconhecido por ser o produtor de referência de espumantes na América do Sul. Para Rosana Pasini, gerente de exportações da Aurora, uma das vinícolas mais tradicionais da Serra Gaúcha, o espumante se tornou o foco nas vendas para poder concorrer com os países vizinhos, já que é difícil para o Brasil competir com os vinhos tranquilos de países como Chile a Argentina, devido ao alto custo brasileiro de produção que acaba encarecendo o nosso produto.


A estratégia brasileira é dar foco aos espumantes, seu diferencial em relação aos seus concorrentes tradicionais, com preços de entrada capazes de concorrer com as Cavas e Pro Secos espanhóis e os Champennois.


Mas como os espumantes se destacam internacionalmente?

A estratégia do setor vitivinícola brasileiro parte de um trabalho conjunto entre as empresas e diversas instituições, como a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e a Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura), atual responsável pelos recursos da extinta Ibravin.


Também segundo Bertolini, o objetivo de promover as exportações e construir a imagem do espumante brasileiro no exterior é alcançado através do desenvolvimento de diversas ações no mercado externo, com trabalho de relações públicas, apoio de promoções de vendas, participação em feiras, e uma série de outras atividades que visam dar suporte aos produtores brasileiros.


O reconhecimento em eventos nacionais e internacionais, como feiras e concursos, é um dos principais responsáveis por alavancar as exportações de espumantes. Segundo Rosana, a maioria dos países leva muito em consideração as premiações, pois aqueles que não consomem tanto vinho consideram as medalhas como um fator importante. Em 2018, os vinhos e espumantes brasileiros apresentaram um salto no ranking de premiações internacionais, conquistando 302 medalhas, 80% a mais em relação a 2017.


Desse número, quase 70% é mérito dos espumantes. Tal reconhecimento é resultado do êxito em 26 concursos realizados em 13 países. Segundo o enólogo Édegar Scortegagna, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE) este resultado é fruto de muito desenvolvimento e pesquisa.


Para conseguir uma exportação bem sucedida, em congruência com os costumes locais de cada destino, as vinícolas exportadoras aumentaram seus investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, levando em conta tendências mundiais e adaptando seus produtos conforme as distinções culturais.


O resultado são produtos que conservam a essência do espumante brasileiro, mas com modificações como a embalagem, o tipo de espumante, e a comunicação com o consumidor da cada país. Por exemplo, enquanto o chinês aprecia o teor mais adocicado de um moscatel, o nova-iorquino prefere o frescor e a acidez do espumante produzido pelo método charmat. Já o europeu costuma apostar nos espumantes de fermentação tradicional, semelhante ao champanhe que ele já tem familiaridade.


Outra estratégia utilizada para diferenciar e agregar valor ao espumante brasileiro é focar no nicho dos consumidores de vinhos ecológicos, que buscam produtos alinhados com o bem estar social e com a sustentabilidade. Além dos benefícios de investir em responsabilidade social, as empresas obtêm a aceitação do produto como um espumante “corretamente elaborado”.

Cases de sucesso: Casa Perini, Cave Geissi e Miolo

Em 2017, um espumante da marca Casa Perini superou algumas das vinícolas mais renomadas do mundo ao ser colocado na primeira posição entre os espumantes, e na quinta posição no ranking global na lista dos melhores vinhos do mundo da Associação Mundial de Jornalistas e Escritores de Vinhos e Licores, elaborada com base nos resultados de competições internacionais.


A premiação provocou forte aumento das vendas, e assim a Casa Perini se abriu para novos mercados, como Japão e Paraguai. A marca também possui uma estratégia de exportação para os Estados Unidos, principal foco de sua linha de vinhos específicos intitulada Macaw.


Em 2011, a Cave Geisse foi bastante elogiada pela britânica Jancis Robinson, uma das críticas mais conceituadas do segmento, e por outros importantes especialistas, chamando atenção inclusive de outros produtores. Como resultado, a marca intensificou a exportação para a Inglaterra e para os Estados Unidos, países considerados chave no mercado de vinhos.


Presente nos principais eventos internacionais, a conceituada vinícola Miolo apostou no investimento no mercado inglês de vinhos, considerado um divisor de águas para a marca. Segundo Morgana Miolo, gerente de exportação da vinícola, todo o processo de exportação foi um longo processo de aprendizado, de pouco mais de 10 anos, que começou com e-mails ignorados por possíveis parceiros, e hoje tem como resultado um leque diversificado de importadores, que entram em contato a fim de distribuir seus vinhos no exterior.


Morgana Miolo revela que hoje o relacionamento com os players estrangeiros é muito mais fácil, e que a experiência externa auxiliou a empresa a compreender como se posicionar e como definir seus produtos.


Agora que você já conhece os motivos para exportar vinhos, os principais eventos nacionais e internacionais do setor vitivinícola que podem alavancar seu processo de exportação, e a importância do segmento dos espumantes, foco de uma das principais estratégias brasileiras de aumento do reconhecimento do vinho brasileiro no exterior, imagino que você esteja enxergando a grande oportunidade de crescimento que a exportação pode trazer a sua empresa.


Imagino também que você consiga entender a importância de incluir no seu projeto de exportação um estudo de mercado, que te possibilite adequar o seu produto às particularidades do seu país de destino, aumentando as chances de uma exportação bem sucedida!


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Fontes: ISTOÉ | GaúchaZH | UOL | Pioneiro | Vila Vinífera | Serra Nossa


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